Anthropic cria Theseus com Macquarie e GIC para bancar data centers nos EUA
Fundos da Macquarie e o soberano GIC serão donos da Theseus, plataforma que vai construir e alugar data centers dedicados à Anthropic nos EUA sob contratos de longo prazo.
Por Pedro Milagre · Especialista em Inteligência Artificial

A Anthropic, a Macquarie Asset Management e o GIC, fundo soberano de Singapura, anunciaram na segunda-feira (10) a criação da Theseus Infrastructure, plataforma que vai desenvolver, operar e alugar data centers dedicados à Anthropic sob contratos de longo prazo. O foco inicial são os Estados Unidos.
Pelo desenho do acordo, detalhado no comunicado da Macquarie, fundos geridos pela Macquarie Asset Management e o GIC serão os donos da plataforma e vão financiar a maior parte do capital próprio de cada projeto. A Anthropic entra como inquilina âncora de cada instalação, alugando a capacidade por contratos de longo prazo, e cada data center será construído sob medida para as cargas de trabalho dos modelos Claude. As três partes vão trabalhar juntas na identificação e no desenvolvimento dos novos sites.
O arranjo resolve um problema central dos laboratórios de IA: escalar computação custa dezenas de bilhões de dólares, e carregar tudo isso no próprio balanço limita o crescimento. Com a Theseus, quem imobiliza o capital são os investidores de infraestrutura — a Anthropic paga aluguel e garante capacidade dedicada. As empresas não divulgaram valores; o comunicado fala apenas em "investimento de capital significativo" e na criação de milhares de empregos na construção, além de posições operacionais permanentes nas comunidades que receberem as instalações, segundo o anúncio feito pelas três partes.
Um detalhe mira uma das críticas mais frequentes à expansão de data centers nos EUA: a Anthropic se comprometeu a cobrir eventuais aumentos na conta de luz que consumidores locais teriam por causa dessas instalações, em linha com compromisso que a empresa já havia assumido publicamente. Os locais dos primeiros projetos ainda não foram anunciados.
Por que importa
A corrida por computação entrou na fase do capital de infraestrutura: em vez de depender só de rodadas de captação ou de acordos com provedores de nuvem, os laboratórios de IA passam a atrair fundos soberanos e gestoras de ativos como donos dos data centers, ficando como inquilinos de longo prazo — um modelo que a OpenAI também explora com parceiros externos no projeto Stargate. Para quem usa Claude no Brasil, nada muda de imediato, mas mais capacidade dedicada tende a sustentar disponibilidade, limites de uso e o treinamento das próximas gerações de modelos. O anúncio também é um recado para o debate brasileiro sobre atração de data centers: a disputa global não é só por energia barata e renovável, mas por quem financia projetos dessa escala — e, por ora, esse capital está indo para os Estados Unidos.
O contexto
Em novembro de 2025, a Anthropic anunciou um plano de US$ 50 bi em infraestrutura de computação nos EUA, em parceria com a Fluidstack, começando por data centers no Texas e em Nova York — projeto com previsão de cerca de 2.400 empregos na construção e 800 posições permanentes, com os primeiros sites entrando em operação ao longo de 2026. À época, a empresa citava a demanda de mais de 300 mil clientes corporativos como justificativa para a expansão. A Theseus soma-se a esse esforço com uma lógica diferente: em vez de investir diretamente, a Anthropic transfere a construção e a propriedade dos ativos para os sócios financeiros e concentra seus recursos no desenvolvimento dos modelos.
Fontes
- [1]https://www.macquarie.com/au/en/about/news/2026/anthropic-mam-gic-data-centre-infrastructure-partnership.html
- [2]https://www.anthropic.com/news/anthropic-invests-50-billion-in-american-ai-infrastructure
- [3]https://technode.global/2026/08/11/gic-anthropic-macquarie-team-up-to-develop-data-center-infrastructure-in-us/
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